STILL LIFE COM FORMIGAS (2025)

Um exercício de profanação da figura de Carlota Joaquina para convertê-la em alegoria de uma elite sitiada. Tomada por formigas, a dama histórica oscila entre emblema de mando e corpo ameaçado, como se a imagem fixasse o instante em que o trabalho miúdo, antes tido por insignificante, começasse a adquirir densidade política. Não se sabe se as formigas ainda trabalham, se já devoram, se ensaiam a véspera de uma revolução. Em número, essa classe rebaixada deixa de ser invisível e instaura uma agonia também política: a do momento em que aquilo que parecia pequeno demais para intimidar passa a ameaçar a imunidade de quem sempre se julgou acima do formigueiro.

Ficha técnica:

Still Life com Formigas, 2025. Estudo digital para pintura, 80 x 120 cm. Série Neoantropofagia.

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