NEOANTROPOFAGIA

Série que investiga como as relações de poder atravessam a identidade brasileira e encontram nas imagens e nos discursos um meio de se perpetuar. Retomando o gesto da antropofagia modernista, a série se volta ao próprio repertório nacional: pinturas consagradas, símbolos e documentos são devorados e reelaborados à luz das contradições do presente.

A pesquisa articula leituras de antropologia e filosofia política à investigação de imagens e documentos. Roberto DaMatta e Darcy Ribeiro ajudam a interrogar a persistência das hierarquias brasileiras; Michel Foucault, os mecanismos de poder que organizam condutas e fixam lugares sociais. De Giorgio Agamben, ainda, vem a ideia de profanação: retirar imagens e signos de seus usos reverenciais para devolvê-los à experimentação e ao uso crítico.

Esse percurso toma forma no atrito entre pintura, texto e procedimentos digitais. Deslocamentos de contexto, sobreposições e choques cromáticos perturbam a familiaridade das referências, enquanto o humor desarranja a solenidade dos símbolos. Entre a sedução da cor e o incômodo da cena, as obras interrogam a distância entre o país que celebramos e as violências que aprendemos a tolerar.