PREÂMBULO (2025)
Preâmbulo aproxima Tiradentes Esquartejado (1893), de Pedro Américo, de uma Constituição de 1988 retalhada — com pitadas de seu texto preambular, tão carregado de promessas — para alegorizar o descompasso entre o país prometido pelos discursos oficiais e a realidade marcada por uma violência fundante e entranhada. Caricatura tragicômica desse conflito, a cabeça do inconfidente protagoniza a composição como ícone vilipendiado pelo mesmo dispositivo de poder que o maquiou e o transformou em mito cívico (dispositivo que, longe de romper com a brutalidade secular, segue vitimando conselheiros, herzogs, amarildos, pedestres).
A obra se constrói por exageros, cores saturadas, sobreposições e contrastes, lançando mão da estridência para dramatizar a cena. O ritmo do arranjo sugere uma expansão radial de formas, atribuindo caráter explosivo à crueza do tema. E o sotaque cartunesco do trabalho introduz ironia na abordagem do paradoxo em jogo (e do cinismo que o acompanha), fazendo da sacudida inicial uma porta de entrada à leitura crítica.
Releitura de: Pedro Américo, Tiradentes Esquartejado (também conhecida como Tiradentes Supliciado), 1893. Acervo do Museu Mariano Procópio (Juiz de Fora/MG).
Ficha técnica:
Lucas Mendes, Preâmbulo, 2025. Óleo, acrílica e bastão de óleo sobre linho, 80 × 120 cm. Série Neoantropofagia. São Paulo, Brasil.
Exposições:
31º Salão de Artes Plásticas de Praia Grande — Galeria de Arte Nilton Zanotti / Palácio das Artes, Praia Grande — dez/2025 — cur.: Comissão Organizadora.
vistas e detalhes
Visão geral da obra
Detalhe: rosto
Detalhe: barba e tipografia
Detalhe: tipografia
31° Salão de Artes Plásticas de Praia Grande (SP), dez/2025